07/08/2018 - 20:37
Mensagem do Diretor Geral à comunidade acadêmica

A Quarta Revolução Tecnológica 

De onde vem o universo? Quando apareceu a vida, a vida vegetal e animal e, finalmente, o ser humano? Como ele se desenvolveu? Muitas são as buscas por respos-tas. Uma destas leituras, é analisar a história pelas chamadas evoluções ou revoluções que a humanidade viveu. No sentido histórico, Harari (2017) propõe uma cronologia para a história, iniciado há 13,5 bilhões de anos, onde surgiu o que chama início da matéria, da energia, do tempo e do espaço, conhecido como Big Bang. A história destas características fundamentais do universo é denominada de física. Em torno de 13 bilhões de anos atrás, a matéria e a energia iniciam uma construção de estruturas complexas, que se combinam em moléculas, como processos químicos. E, há 3,8 bilhões de anos estas estruturas complexas se desenvolvem em organismos vivos, denominada biologia. 

Somente há 70 mil anos estes organismos vivos se tornam o Homo Sapiens, que por sua capacidade intelectual de pensar e de se comunicar, define as novas Revoluções: a Revolução Cognitiva, onde surge a linguagem ficcional; a Revolução Agrícola, com a domesticação de animais e plantas em assentamentos permanentes, pois antes a humanidade era considerada como nômades ‘caçadores – de animais, e catadores – de frutas e plantas’. Já no século XV, da era atual, o autor reconhece a Revolução Científica como um dos passos mais significativos para o desenvolvimento da humanidade e, no século XVII, a Revolução Industrial caracterizada por mudanças abruptas e radicais, motivadas pela incorporação de tecnologias, com desdobramentos nos âmbitos industrial, econômico, político, social e familiar.  

Hoje, seguindo o mesmo autor, Harari (2016), o mundo passa por uma transição de época e estaria no início da 4ª Revolução, da chamada Indústria 4.0. O desenvolvimento e a incorporação de inovações tecnológicas vão mudar radicalmente o mundo como o conhecemos e moldar a vida nos próximos anos.

Essa nova fase será impulsionada por um conjunto de tecnologias disruptivas como robótica, inteligência artificial, realidade aumentada, big data (análise de volumes massivos de dados), nanotecnologia, impressão 3D, biologia sintética e a internet das coisas, onde dispositivos, equipamentos e objetos são conectados uns aos outros por meio de ondas eletrônicas, ou internet.

A 4ª Revolução Tecnológica supera significativamente as tecnologias mecânicas, especialmente representadas pela máquina a vapor e as ferrovias. Essas máquinas propor-cionaram mais capacidade na produção industrial, substituindo as pessoas e os animais na geração de força, energia e resultado nos trabalhos. Incorporada à revolução mecâni-ca no final do século XIX e início do século XX, vem a inovação da eletricidade e sua utilização na área industrial com a produção em massa, bem como na melhoria da vida doméstica e de bens de consumo, de mobilidade e outros benefícios sociais. Graças à energia elétrica, no final da década de 1960, desenvolvem-se as experiências em informática e tecnologia da informação, seguida da expansão do uso de computadores pessoais e no final do século com a criação da internet.

A 4ª Revolução Tecnológica está relacionada no campo da Inteligência Artificial e suas decorrências na vida das pessoas, desde a área da medicina até as indústrias automatizadas. A ciência já antecipa algumas inovações para toda gênese humana, fazendo um pequeno paralelo com mudanças de gerações anteriores. Mas em sua maioria, não se pode prever tudo o que esta nova geração tecnológica pode trazer para a humanidade.

A educação é influenciada nos processos de ensino e aprendizagem, bem como, e principalmente, na formação dos novos perfis de egressos de profissões que ainda não existem. Inicia-se pela educação interativa, fortalecida pela virtualização do conhecimento, inserindo a Educação a Distância – EAD como uma das metodologias em maior crescimento.

Além da presença das novas TICs, há uma reflexão sobre o efeito destas inovações na vida social com a tendência de aumentar a desigualdade social, tendo em vista que a Indústria 4.0 pode dinamizar a produção de bens sem a necessidade da pessoa humana, aumentando, assim, o desemprego.

Entre outras características apontadas por estes autores está que “a ciência está convergindo para um dogma onde organismos são algoritmos e a vida um processamento de dados; a inteligência está se desacoplando da consciência; algoritmos não conscientes mas altamente inteligentes poderão, em breve, nos conhecer melhor do que nós mesmos” (HARARI, 2016, p. 398).

E ficam as perguntas, levantadas por Harari (2016): “Será que a vida são apenas algoritmos e a vida apenas processamento de dados? O que é mais valioso, a inteligência ou a consciência?” O que pode acontecer com a vida e os valores transcendentes nos quais acreditamos quando os algoritmos não conscientes, sumamente inteligentes nos conhecerem melhor que nós mesmos?

 
Lucas do Rio Verde, junho de 2018.
Prof. Dr. Nelso Antonio Bordignon, fsc
Diretor Geral - Faculdade La Salle
 
 
REFERÊNCIA
HARARI, Yuva Noah, Sapiens – Uma breve historia da humanidade, 24 ed. Porto Ale-gre, RS: L&PM, 2017.
 
HARARI, Yuva Noha. Homo Deus: uma breve história do amanhã 1ª ed. São Paulo: Companhia das Letras, 2016.
 


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